LEUCEMIA FELINA: O QUE DEVE SABER SOBRE A DOENÇA

Atualizado: 24 de Ago de 2019

Você sabia que seu animal de estimação pode sofrer de doenças sérias, tais quais a leucemia, afetando a qualidade de vida do pet, podendo levá-lo até ao óbito caso não seja realizado o adequado diagnóstico e posterior tratamento, tal como acontece com os seres humanos? Aliás, nós já falamos aqui na Revista Nossa Cidade Lisboa sobre oncologia veterinária. E o tema dessa vez é leucemia felina (FeLV), doença causada por um vírus e transmitida de um animal para outro.


Para falar da enfermidade que acomete tanto gatos domésticos quanto felinos selvagens, tendo a capacidade de levar o animal a um estado de imunodeficiência, desencadear tumores muitas vezes agressivos (leucemia ou linfomas) e até outras doenças degenerativas, entrevistamos a médica veterinária Beatriz Madeira, do Hospital Veterinário da Bicuda, especialista no assunto.


Revista Nossa Cidade Lisboa A leucemia felina é uma doença com sérias consequências para os animais. Como preveni-la?

Beatriz Madeira - A única maneira de prevenir é impedindo a exposição do gato saudável a gatos infetados com FeLV. Tal ato somente é possível mantendo o animal com um estilo de vida estritamente indoor ou providenciando supervisão quando é permitido o acesso outdoor. Todos os gatos devem ser testados para FeLV antes de serem introduzidos em casa. Caso um gato infetado partilhe a casa com um gato não infetado, estes devem estar separados por uma barreira física e nunca partilhar taças de comida, água ou liteiras. Infelizmente, muitos gatos infetados não estão diagnosticados antes de irem viver numa casa com outros gatos.


RNC Lisboa – E quais os principais sintomas da doença para serem observados pelos tutores?

BM - A FeLV afeta o organismo do gato de diversas maneiras. Na maioria dos casos, causa tumores, mas, também, pode provocar patologias hematológicas, levando o felino a um estado de imunodeficiência que compromete a capacidade do organismo de combater outras infeções. Numa fase inicial da doença é comum os gatos serem assintomáticos. Com o passar do tempo - semanas, meses ou anos -, o estado clínico de um gato infetado pode progressivamente deteriorar, podendo apresentar perda de apetite, perda de peso, má condição do pelo, linfadenomegalia, febre persistente, mucosas pálidas, estomatite, gengivite, infeções diversas, diarreia persistente, convulsões, alterações comportamentais, alterações oftálmicas e alterações reprodutivas.


RNC Lisboa – Além disso, como é feito o diagnóstico da doença?

BM - Podem ser utilizados dois tipos de testes sanguíneos para diagnosticar a FeLV. Em ambos os casos, é detectada uma proteína chamada FeLV P27. Um destes testes é chamado de ELISA, normalmente utilizado como primeira escolha para diagnóstico, inclusive podendo ser realizado em qualquer clínica ou hospital veterinário. Outro teste é o IFA, este normalmente é utilizado como diagnóstico laboratorial após um teste ELISA positivo para confirmação da FeLV, determinando o estado da infeção. O método mais indicado deve ser avaliado conforme o caso pelo médico veterinário.


RNC Lisboa – Apesar de não ter uma cura, como é feito o tratamento dos sintomas e de suporte?

BM - Infelizmente não existe uma cura definitiva. Apesar de existirem algumas terapias que demonstram reduzir a quantidade de FeLV na corrente sanguínea de gatos infetados, estas podem provocar reações adversas e não seres eficazes em alguns casos. Normalmente, nos gatos infetados com FeLV, o médico veterinário realiza apenas um maneio médico das patologias associadas, como a antibioterapia, caso o gato desenvolva infeção bacteriana ou, ainda, realização de transfusões sanguíneas, em casos de anemia, entre outros procedimentos.


RNC Lisboa – Hoje há uma vacina que previne contra FeLV. Quando deve ser tomada e há necessidade de repetir a dose?

BM - A vacinação contra o vírus da leucemia felina não é uma vacina essencial, ao contrário da vacina tripla felina (Panleucopénia, Rinotraqueíte e Calícivirus) que o é. A sua realização deve ser determinada pelo estilo de vida e risco de exposição observados individualmente. Quando se justifica, a vacinação realiza-se a partir das oito semanas de idade, com duas doses da vacina dadas com intervalo de três a quatro semanas.


RNC Lisboa – Para concluir, como é transmitida a doença entre os felinos?

BM - Gatos infetados com FeLV são fonte de infeção para outros gatos. Uma vez que o vírus é excretado na saliva, secreções nasais, urina, fezes e leite. A transferência de gato para gato pode ocorrer durante uma luta, “grooming” e, mais raramente, pela partilha de taças de comida, água e liteiras.


+351 214 823 336

www.hvbicuda.pt

Rua da Torre, 1490 A/B Cascais

0 visualização

© 2017 REVISTA NOSSA CIDADE. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

Alameda Roentgen 7D - 1ª andar, Escritório 7 - Telheiras, Lisboa, Portugal

lisboa@revistanossacidade.pt / rnc.lisboa@gmail.com

  • Facebook Basic Black
  • Instagram Basic Black
  • Preto Ícone YouTube