El ritmo de Kris Rocha

“Explosão!”. É assim que Kris Rocha define seu estilo musical. De fato, basta ir a um show ou assistir a um videoclipe da cantora brasileira para entender o porquê. Levando seu sangue baiano - herança familiar - por onde vai, Kris vem fazendo sucesso em solo europeu. A seguir, a cantora compartilha um pouco mais de sua carreira, sonhos e conquistas com a gente.

Revista Nossa Cidade - Primeiro nos conte um pouco mais sobre a sua trajetória na música. Quando e onde você deu seus primeiros passos profissionais?

Kris Rocha - Desde muito pequena sempre gostei de cantar e isso me levou, ainda durante a adolescência, a frequentar um karaokê perto da minha casa, onde várias pessoas iam cantar por diversão. No entanto, os outros frequentadores começaram realmente a gostar de me ouvirem. Muitas vezes indo até a minha mesa me pedindo canções. A cada vez que eu subia naquele palco e eles me aplaudiam, crescia mais em mim o sentimento de que eu era uma cantora. Nessa época, no entanto, eu tinha acabado de montar um salão de beleza, área em que eu atuava à época. Coincidentemente, um dos meus clientes era músico e sempre ia cortar o cabelo com a guitarra nas costas, até que um dia eu compartilhei com ele desse meu sonho de ser cantora. Mais um acaso do destino, a banda dele estava selecionando vocalistas. E eu resolvi ir ao casting e acabei sendo a primeira a ser selecionada, tornando-me a lead singer da banda Oba Daká, em Minas Gerais. A sensação de levar alegria às pessoas foi viciante, desde então nunca mais consegui sair dos palcos.

RNC - E como surgiu a ideia de trazer sua carreira para a Europa?

Kris - Meu primeiro passo na Europa foi na Espanha. E como uma nova imigrante, claro, tive que começar tudo de novo, tanto em minha vida profissional quanto pessoal. Por lá comecei cantando acústico nos bares, percorrendo diversas cidades, até conseguir de fato reunir os músicos para a formação de uma banda. Com o passar do tempo, tive então a oportunidade de me apresentar não só no país - como nos palcos do consagrado Festival de Jazz de San Sebastian ou no Hay Festival em Segóvia -, mas também de me destacar em outros lugares, como no Festival Mundial da Música na Polônia, fazendo shows e indo a programas de TV e rádio na Suíça, Bélgica, França, Portugal, entre outros países , atraindo inclusive fãs oriundos de diferentes partes do globo. O que me deixa mais satisfeita é que posso dizer que, de fato, minha música, a minha voz tem me levado até esses lugares. A receptividade do público europeu com a música brasileira é sensacional. O que me abriu as portas para ir além dos covers e investir nas minhas canções autorais, cantando em Português e em Espanhol.

RNC - Por falar nisso, sua música é uma mistura de ritmos e sensações. Você consegue definir seu estilo musical?

Kris - Acho que ainda não inventaram um nome. Talvez o mais próximo seria explosão [risos]. Sempre gostei do novo, sempre quero fusionar a música, trazer ritmos brasileiros com colombianos, africanos, portugueses. Gosto dessa mistura de ritmos e sensações. No momento trabalho numa mistura de reggaeton com samba. Assim como também já me apresentei muito interpretando clássicos da Bossa Nova. No entanto, é inevitável dizer que o Axé Baiano é, sem dúvida, minha maior influência, tendo Ivete Sangalo como minha maior inspiração na música.

RNC - Acompanhando essa mistura de inspirações e referências, você também usa sua música para levar mensagens importantes, como a de combate à violência contra mulher e empoderamento feminino. Fale-nos um pouco sobre como você busca influenciar aos seus fãs nesse sentido.

Kris - Eu perdi uma grande amiga no Brasil assassinada pelo próprio marido. Tive e tenho casos de mulheres agredidas na minha família. Além disso, apesar de todas as dificuldades e do machismo que já enfrentei, sempre fui uma mulher independente, forte e empoderada, e é essa a mensagem que quero passar por meio das minhas canções. A música “Mexeu com uma mexeu com todas”, uma das mais conhecidas do meu repertório, é um grande exemplo disso. Não só pela letra, bem forte, falando exatamente tudo o que eu gostaria de falar sobre o tema, mas também por todo o projeto que envolveu a realização do seu primeiro videoclipe, que contou com mais de 80 mulheres do Brasil, de Portugal e da Espanha.

RNC - Infelizmente o videoclipe, que já havia gerado um considerável buzz em diversos países, foi tirado do ar. O que houve?

Kris - Essa é sem dúvida uma das situações mais delicadas da minha carreira e que ainda me sensibiliza muito. Como uma ironia do destino, apoiei o movimento de combate à violência contra as mulheres e fui vítima de violência psicológica e moral por parte de uma das mulheres participantes do clipe. Uma situação realmente muito dolorosa, mas que está sendo contornada. Tive, por questões maiores, que tirar o videoclipe do ar. Mas medidas legais já estão sendo tomadas contra essa pessoa e não deixaremos que o mau comportamento de uma manche a luta de tantas outras. Por isso já estou trabalhando na gravação da segunda versão, que será realizada em Portugal, nos mesmos moldes do primeiro clipe e que contará com uma divulgação massiva.

RNC - Inclusive, você está de hit novo, não é? Conta pra gente!

Kris - Sim e estou muito ansiosa! Trata-se de um lançamento internacional. Já chegamos em diversos países da América do Sul, Central e da Europa, e vamos ainda mais longe. Chamada de “Ritmo del Tumbao”, essa nova música mistura o reggaeton com o samba, numa explosão latina. Imperdível! O videoclipe também foi feito com muito carinho, contando com a participação de pessoas muito especiais e divertidas. Cuja as quais gostaria de agradecer de todo o coração. E teremos em breve o lançamento da música “Chora”. Aliás, trata-se também de uma mensagem de empoderamento. Vale a pena aguardar e conferir!


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