Da repressão à liberdade criativa e empreendedora

O Professor e Pensador C. S. Lewis disse que dificuldades preparam pessoas comuns para destinos extraordinários. Cornelia Bordianu não é nada comum. Nascida na Romênia, viveu durante a repressora ditadura de Nicolae Ceaușescu e participou ativamente da revolução que o tirou do poder. Nesta época era jovem e mãe, mas mesmo diante de possibilidade de morte lutou bravamente, o que lhe rendeu o direito de receber um certificado dado a todos que estavam na primeira linha da revolução.

A ditadura caiu, mas as cicatrizes ficaram e viver naquele cenário não era animador. O país continuava fechado, não havia informações sobre como empreender e, ao mesmo tempo era primordial encontrar um caminho. Aos 25 anos decidiu abrir uma pequena loja de souvenires e cinco anos mais tarde cresceu a ponto de empregar 24 pessoas.

Quando percebeu que estava na hora de sair da Romênia encarou o mundo. Morou na Ilha de Chipre, na Irlanda e no Rio de Janeiro – Brasil: “temos que nos reinventar”, conta. Ganhou experiência em grandes eventos e tornou-se consultora. Sua experiência de vida e seu currículo profissional sempre facilitou sua entrada no mercado de trabalho, mas Cornelia queria mais.

Em 2017, chegou em Lisboa para uma temporada de férias. Era o mês de setembro e se encantou com o movimento cultural da cidade. “Encontrei uma cidade maravilhosa com festival de fado por cada lugar, espetáculos de graça, por aqui, por lá”, diz. Conheceu um local maravilhoso com vista de se perder o fôlego. No mesmo dia tomou a decisão. Abriria um negócio naquele local.

Precisou encerrar suas atividades em Dublin onde morava e trabalhava na época. Informou aos colegas que abriria seu próprio hostel em Lisboa e que todos estavam convidados para se hospedarem lá. As dificuldades começaram aí. Não houve apoio a princípio. Estavam preocupados com todo o trabalho que seria necessário para que o sonho se realizasse. Precisava reformar o local, legalizar o negócio, atender a legislação do país e faria tudo sozinha.

Em novembro chegava em Lisboa com uma mala nas mãos e muitas ideias na cabeça. O local que tem uma vista espetacular precisava de muitas obras. Por um mês Cornelia enfrentou o desafio. “Durante o dia trabalhava com máquinas que fazem barulho, como furadeira, e a noite fazia tudo que não precisava de barulho, tipo pintura. Trabalhava até às 3 da madrugada”, conta. Neste período se preocupou com o marketing. Criou um website e incluiu o hostel em sites de busca e reservas on line.

Em meados de dezembro inaugurava o hostel. Enviou uma mensagem para os amigos de Dublin e comunicou: “as portas estão abertas, vocês estão convidados”. Ficaram sem palavras.

Investiu na qualificação do atendimento como diferencial no mercado. Além da vista, esse é um dos segredos do seu sucesso. Seu staff é orientado a dar o máximo de atenção aos hóspedes e a decoração contribui para a sensação de estar em um lugar costumeiro, como a própria casa.

O hostel oferece quartos com 10 camas, 5 camas, dormitórios com 4 camas e dormitório privado e os clientes tem acesso livre ao café, leite ou água quente para um chá. O café da manhã é especial. Todos os produtos são feitos artesanalmente, frescos, o que inclui pratos quentes.

Os hóspedes vêm de diferentes países como Coréia do Sul, África do Sul, China e outros. Muitos precisam trabalhar enquanto fazem turismo e para atender a essa necessidade está à disposição uma sala de reuniões.

Os serviços não são somente ligados a hotelaria. Cornelia fornece assessoria para aqueles que estão chegando no país, mas ainda não alugaram ou compraram uma casa/apartamento. Os preços são especiais para os que estão imigrando para Portugal, mas ainda precisam resolver assuntos burocráticos e não tem onde ficar. Em parceria com um escritório de advocacia fornece suporte para abertura de empresas, para vistos, pedidos de nacionalidade, legalização de divórcios e burocracias em geral. Acredita que o problema do cliente é seu problema também.

O aspecto social do negócio não é esquecido. Para estudantes que chegaram em Portugal com objetivo de estudar ou trabalhar, mas não podem pagar preços de aluguel de imóvel, Cornelia oferece trabalho em troca de hospedagem. O colaborador recebe um treinamento intensivo e deve respeitar a qualidade e o padrão exigido.

Cornelia não para. Tem projetos para implantar um hostel em Braga e seu lema é simplificar a vida. “A vida já é difícil o suficiente, já estamos complicados e não precisamos complicar mais”. Para estar onde chegou o foco é muito importante. “Eu sempre digo que aquele que está vencendo não é melhor do que outro, mas ele não perde o foco. Aquele que normalmente luta três dias, sai na frente, mas alguns que desistem no terceiro dia perdem oportunidades. O que continua lutando vai alcançar seus objetivos”.

A vida de Cornelia nunca foi fácil. Precisou ser forte para abrir seus caminhos. Acredita na flexibilidade, “quantas vezes mudei de planos, mudei de país, de trabalho, de atividade e agora quero continuar renovando”. As dificuldades levaram Cornelia para um futuro extraordinário e o hostel fala um pouco sobre quem é a empreendedora.

Endereço: Avenida Fonte Pereira de Melo, 3

Facebook: @guestshouse.lisbon

Site: www.guestshouselisbon.com


47 visualizações

© 2017 REVISTA NOSSA CIDADE. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

Alameda Roentgen 7D - 1ª andar, Escritório 7 - Telheiras, Lisboa, Portugal

lisboa@revistanossacidade.pt / rnc.lisboa@gmail.com

  • Facebook Basic Black
  • Instagram Basic Black
  • Preto Ícone YouTube