CANCRO EM ANIMAIS: CONHEÇA A ONCOLOGIA VETERINÁRIA


Com o aumento da longevidade dos animais de estimação, cresce também o número de casos de cancro entre eles. O que muitos não sabem, porém, é que os nossos melhores amigos contam com a oncologia veterinária a seu favor. Com uma área especializada no tratamento da doença, oferece tratamentos completos, como a quimioterapia, cirurgia, criocirurgia, radioterapia, vacinas e outros tipos de inibidores tumorais, tal como como na medicina humana. Aliás, o cancro nos animais surge e comporta-se basicamente da mesma forma que nos seres humanos. A mutação pode ter origem não só na idade avançada dos bichos, como também na exposição continuada a estímulos nocivos, como a radiação solar, infecções, químicos e/ou hormonais, sem falar dos fatores de predisposição associados às raças e a animais não castrados. A falta de apetite, perda de peso, alterações nas fezes e na urina ou até mesmo na pele, como nódulos ou massas, podem ser alguns dos sinais para ficarmos alerta ao estado de saúde dos nossos amigos de quatro patas. Os efeitos dos tratamentos oncológicos veterinários, no entanto, causam efeitos adversos incomparavelmente menores do que nos humanos. Prova disso são as cadelinhas Sushi e Minxy, que foram submetidas a tratamento com o apoio da equipa especializada do Hospital Veterinário da Bicuda (HVB). Quem conta um pouco sobre isso são os seus donos.


SUSHI, BOSTON TERRIER, 11 ANOS Em 2014 foi submetida a duas cirurgias devido a um cancro de mama. Encontra-se agora a terminar os tratamentos de quimioterapia devido a um mastocitoma de alto grau, após ter removido o tumor em julho deste ano A Sushi tem feito quimioterapia. Como tem sido todo este processo desde o diagnóstico? A Sushi é uma cadela de 11 anos com um histórico significativo de doenças, tendo, graças às decisões tomadas em conjunto com o HVB, superado todas elas. Por isso mesmo, não hesitei em seguir o tratamento conforme me foi aconselhado, tendo-me sido explicados todos os prós e contras. Não gostaria de me confrontar no futuro com o fato de não lhe ter dado todas as possibilidades de longevidade. Como a Sushi tem lidado com o tratamento? Ela tem tido muitos efeitos secundários? Ela tem reagido bastante bem à quimioterapia e continua a ter uma vida perfeitamente normal, mantendo o seu modo brincalhão, meigo e atento. Somente se sente nervosa quanto tem de ir às sessões de quimioterapia no hospital, o que acredito ser normal. Contrariamente ao habitual, a Sushi perdeu algum pêlo, mas não foi uma perda generalizada. Foi pontual, sendo que na zona lombar, o pêlo voltou rapidamente a nascer. O efeito mais forte por mim observado foi o aumento do apetite e um apuramento maior no olfato. Sabendo que muitas pessoas têm algum preconceito quando o assunto é a quimioterapia, qual é o seu conselho para os donos cujos os animais necessitem dessa intervenção? O melhor conselho que posso dar é que decidam como se fossem eles próprios a estar doentes. Como eu quero viver o máximo de tempo possível, não poderia retirar da minha querida cadela essa hipótese de sobrevivência.


MINXY, SEM RAÇA DEFINIDA, 11 anos (aproximadamente) Diagnosticada com linfoma multicêntrico em dezembro de 2016, está no terceiro ciclo de tratamentos com quimioterapia e encontrase sem sinais de doença ativa de momento Antes de ser diagnosticada com um linfoma, a Minxy já havia apresentado algum problema de saúde? Resgatámos a Minxy no Dubai, em 2008. Ela aparentava ter menos de um ano e apresentava claros sinais de maus tratos. Assim, tinha vários problemas tanto a nível social (dificuldade no convívio com pessoas), como médicos (especialmente gastrointestinais). Foram precisos vários anos para que conseguíssemos torná-la numa cadela feliz, brincalhona e interativa. E como surgiram o diagnóstico e tratamento? Passados oito anos, ela foi diagnosticada, ainda no Dubai, com um linfoma. Na época disseram-nos que o tratamento por lá seria limitado, pois alguns dos medicamentos necessários não estavam disponíveis na região e não poderiam ser importados legalmente. Portanto, a esperança de vida da Minxy seria muito curta. Por mero acaso, ou porque o destino assim o quis, tínhamos acabado de decidir mudarmo-nos para Portugal e, então, pesquisámos qual seria o melhor tratamento para ela na região de Cascais. Quando chegámos, levá-mo-la imediatamente a uma consulta com a Dra. Catarina Neves, no HVB. Após alguns exames e avaliações, ela confirmou o diagnóstico e o prognóstico que a Minxy teria, demonstrando a maior e genuína empatia, além de um detalhado conhecimento da doença. Após dois anos, em que etapa do tratamento a Minxy está e como é que tem reagido aos procedimentos? Até agora, os resultados foram verdadeiramente notáveis. A Minxy encontra-se atualmente no terceiro estágio de tratamentos, tendo estado em remissão completa já por duas vezes (ambas sem qualquer intervenção por aproximadamente quatro meses). Continua a ser uma cadelinha muito feliz e teve pouquíssimos “maus dias” resultantes da quimioterapia. Apresenta apenas, de forma ocasional, indisposições gástricas e uma pequena falta de apetite, que duram pouco mais de um dia. Qual conselho que daria aos donos de animais a passar pela mesma situação? Sabendo do problema dela, muitos familiares e amigos tentaram demonstrar compaixão dizendo que deveríamos fazer o que era “correto”, implicando que a decisão “mais simpática” - e económica - seria colocá-la “a dormir”. Isto é um completo disparate! Os nossos animais de companhia são família e merecem o mesmo cuidado e consideração. Só porque o seu animal tem cancro, não significa que não tenha a possibilidade de viver uma vida longa e com qualidade.

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