BATEU SAUDADE

“Saudade é fechar os olhos e lembrar daquele momento, cheiro, daquelas palavras, gargalhadas e depois abrir os olhos novamente e dizer para mim mesma: ainda bem que vivi isso!”. É assim que a apresentadora de TV e foodwriter Paula Bollinger descreve essa palavra que conecta de maneira tão única a cultura portuguesa à brasileira, não só por meio do idioma, mas de um sentimento que só quem foi abençoado com a oportunidade de viver em ambos os países consegue definir.

Nascida no Rio de Janeiro (BR), os caminhos de Paula a levaram para diversos lugares desde muito cedo. O primeiro deles foi a capital do estado do Espírito Santo, Vitória, de onde guarda memórias bastante precoces dos passeios à beira-mar. Logo aos cinco anos, porém, mudou-se para o Peru, devido ao trabalho de seu pai. “Foram dois anos incríveis por lá! Uma injeção profunda de cultura. Mesmo sendo pequena já era apaixonada por história”, conta a apresentadora do programa “Tudo a ver”, da KuriakosTV. A seguir, foi a vez de mudarem-se para a Espanha, onde passou o restante de sua infância.

“Aos 12 anos finalmente vim para Portugal, onde vivi quatro anos maravilhosos e criei amizades que tenho até hoje. Mais tarde, porém, mais uma vez por conta da carreira de meu pai, retornamos ao Brasil. Foram nove anos de volta ao Rio de Janeiro, que continuava lindo! Porém, depois de ter passado um longo período no continente Europeu, acabei não acostumando com alguns padrões brasileiros. Foi quando surgiu, então, um convite para que eu voltasse à Portugal a trabalho. Aceitei!”.

E não demorou muito para que o já “velho conhecido” país se tornasse o seu “lar”. Apesar de hoje dividir seu tempo entre a França e Portugal, foi em terras lusitanas que Paula conquistou não só fama e uma carreira sólida, mas também ampliou sua família. Casada com um português, ela é a mãe de Bella, também nascida no país. “Costumo dizer que o sangue e o sotaque são brasileiros, a alma portuguesa e o coração espanhol. Quando vivemos em vários lugares perdemos um pouco a nossa ‘bússola’ e durante muitos anos acordava sem saber onde estava. Em Portugal acordo sabendo onde estou, me sinto no lugar certo a todo o momento. Sou apaixonada pela gastronomia, respiro o fado e me emociono em terras alentejanas”, conta com emoção.

Ela finaliza com um recado para os brasileiros que vivem em Portugal: “Ser imigrante em qualquer lugar do mundo nunca será fácil. Mas para quem trabalha com disciplina e carinho, para quem trata o seu próximo com respeito, sempre haverá reconhecimento. O povo português sabe abrir os braços e fazer-nos sentir em casa, é só uma questão de tempo”.


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