Bateu saudade

Há dez anos, eu vim para Portugal, acompanhando meu marido que tinha recebido a proposta para ser representante comercial de uma grande marca aqui na Europa. Precisávamos escolher um país e, por conta do nosso estilo de vida no Brasil, decidimos que Cascais seria o lugar perfeito. Somos do estado do Rio de Janeiro, vivemos sempre perto

de praia e calor, e isso é algo muito importante para nós.


Em Portugal, fomos muito bem recebidos, ganhamos muitos amigos queridos que até hoje cultivamos, mas a vida social era bem diferente há uma década, com eventos muito mais intimistas e menos frequentes. Enquanto vivíamos no Brasil, a casa estava sempre cheia, não precisávamos de datas para comemorar. Tudo era motivo para estarmos juntos. Devo admitir, o que mais sentia falta além da família, claro, era desses momentos.


Nos cinco primeiros anos vivendo em terras portuguesas, eu trabalhei com o meu marido e, também, me dediquei para que esse recomeço acontecesse da melhor forma possível. Depois de um tempo, eu abri um e-commerce e me tornei representante comercial de uma marca brasileira de roupas fitness. Com este trabalho, eu conseguia ir para o Brasil de uma a duas vezes por ano, o que ajudava a renovar minhas energias, porque a saudade era o mais difícil de enfrentar.


Após um período, decidimos aumentar a família, tivemos um filho, hoje com cinco anos. No primeiro ano de vida dele, como não tinha família para me ajudar aqui em Portugal, me dediquei quase que exclusivamente a maternidade. Depois, me veio uma intensa vontade de retomar a vida profissional.


Foi um caminho cheio de altos e baixos, algumas tentativas com outros trabalhos, mas a forma que me encontrei profissionalmente tem muita relação com a palavra “saudades”. Nos últimos anos, aumentou muito o número de brasileiros em Portugal. Eu adorava receber amigos e conhecidos, mostrar a cidade, reunir as pessoas, sentir a presença de meus conterrâneos. Logo percebi que essa era a minha vocação e transformei uma atividade que fazia rotineiramente, apenas por prazer, em minha profissão.



Não demorou muito, notei a potencialidade de criar atividades em outras vertentes. Percebendo a falta de espaço para o empresário brasileiro recém-chegado mostrar sua marca, por exemplo, criei um mercado cultural para que pudessem expor seus produtos e serviços em Portugal, estreitando relações entre os dois países e tornando-se uma ótima porta de entrada para esses empreendedores. O evento cresceu muito ao longo dos tempos.


Hoje, com a minha rotina tão agitada, a maior saudade do Rio de Janeiro é da minha família e do clima quente de verão, porque com o meu trabalho, eu consegui trazer toda energia e alegria do meu país para pertinho de mim. Me sinto realizada profissionalmente e pessoalmente por conseguir conectar pessoas, negócios e culturas, bem como realizar eventos que trazem alegria para Portugal.


E você? Qual é a sua história?

Quais foram os desafios que você enfrentou? Como você lida com a saudade? Mande um email ou nos ligue contando. As melhores histórias estarão nas próximas edições da Revista Nossa Cidade Lisboa.


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